Residência de Criação RefugiActo

30residência de criação no CAPa – 16 a 18 Setembro 2016 – estúdio 1

O RefugiActo existe desde 2004 e é composto por refugiados de vários países, com idades e profissões diferentes e em fases de inclusão em Portugal também variadas. Encontramo-nos uma vez por semana para, juntos, transformarmos em teatro aquilo que queremos partilhar com o mundo e também aquilo que outros refugiados não conseguem ou não podem contar. As poucas horas depressa se transformam em minutos, as palavras certas em português ainda são difíceis de dizer, as histórias são muitas ou às vezes andam escondidas porque eram para esquecer, ou chamam ainda mais histórias… Esta residência artística vai dar-nos um pouco mais de tempo, de espaço de imersão, reflexão e oportunidades de partilha. Dela, mesmo curta, sairão mais fragmentos de teatro e um grupo mais preparado, mais vivo, mais rico e com uma maior consciência de como pode ser um processo de criação artística.

o REFUGIACTO
O teatro no CPR surge no âmbito das aulas de Português. Em 2004, nasce o RefugiActo, grupo de teatro constituído por refugiados de diferentes países. Contando com mais de 10 criações originais, o RefugiActo existe até hoje para ser a voz dos refugiados, e tem feito apresentações pelo país e gerado debates e reflexões sobre o universo dos refugiados em Portugal e no mundo. Pelo RefugiActo já passaram pessoas de muitas nacionalidades, nomeadamente: Afeganistão, Albânia, Bielorrússia, Caxemira, Colômbia, Costa de Marfim, Gana, Geórgia, Guiné Bissau, Guiné Conacri, Irão, Iraque, Kosovo, Palestina, Mianmar, Nigéria, Portugal, Ruanda, Rússia, Sri Lanca. O Grupo tem beneficiado ao longo destes anos de formação e acompanhamento da parte de profissionais, designadamente de António Revez, Bruno Bravo, Miguel Castro Caldas, Raquel André e Davoud Ghorbanzadeh, Arlindo Horta e Rui P. Garcia.

o projecto PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social
Desde 2014 o RefugiActo integra uma parte do projeto do CPR “Refúgio e Teatro: dormem mil gestos nos meus dedos”, apoiado pelo Programa da Fundação Calouste Gulbenkian PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social. De um modo geral, o projeto assenta em dois pontos: 1) Sessões de Expressão Dramática uma vez por semana no Centro de Acolhimento (CAR, Bobadela), abertas a todos os requerentes de asilo e baseadas na relação entre o jogo dramático e a aprendizagem da Língua Portuguesa; 2. A dinamização do RefugiActo para a criação e para a formação.

parceiros: PARTIS: Casa da Achada, em Lisboa; Escola da Noite, em Coimbra; Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, Teatromosca, em Sintra.
outras parcerias: Centro Cultural de Vila Flor, Teatro Maria Matos (Comer Lisboa), Lua Cheia.

 

sobre o espectáculo “FRAGMENTOS”

interpretação: Ajet Bunjaku, Cláudia Elias, Dora Villota, Isabel Galvão, Margarita Sharapova, Nasri Azimeh, Yana Schimd, Omid Bahrami, Lara Tovmasyan, Bethlehem Samson.

direção: Sofia Cabrita

Uma linha imaginária que não podia ser mais real: a fronteira. A espera para passar essa linha e o que se encontra do outro lado. Quem somos? De onde viemos? Porque viemos? Quando nos tornamos refugiados é só isso que somos? Um processo em (re)curso, um papel legal, o nosso nome e a nossa nacionalidade não contam a nossa história. Essa, foi-nos roubada por quem nos obrigou a fugir. É preciso recuperá-la e reconstruí-la, com a mesma coragem que triunfou sobre o medo e conseguiu alcançar a liberdade para ser, para pensar, para falar, para amar, para viver.

sobre o processo de criação
Este espetáculo está a ser criado pelo Grupo a partir de histórias individuais e de família, considerações, memórias, dúvidas, leituras, ideias, trocas, sonhos. Cada cena corresponde a horas e horas de levantamento e edição de material nascido nos ensaios, nas residências artísticas, nos piqueniques, nas festas de anos, nas boleias, nas pausas do chá e café… Queríamos um processo verdadeiramente artístico e este trabalho perseguiu a prática teatral, assente na repetição, na procura da palavra certa, no corpo, no coletivo, no público, no erro e, sobretudo, na vontade de contar as histórias verdadeiras da partida forçada e da chegada ao desconhecido – quando se consegue chegar. Estes intérpretes chegaram e ficaram, juntaram-se decidiram usar o teatro para aprender e para ensinar. O RefugiActo é uma família teatral, cujos laços de sangue dão nós apertados no coração e que fala numa só língua, a do teatro, para que todos (se) possam entender.

 

a DeVIR é uma estrutura financiada por

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