Nova Criação | Teresa Silva & Filipe Pereira

residência de criação no CAPa – 14 Julho a 5 Agosto 2017 – estúdio 2 e black-box

 

Teresa: Acho sempre muito interessante como os gestos que acabaram de ser feitos, estão completamente em relação com os gestos que já foram feitos. Gosto de fantasiar essas relações e… e pensar que o gesto que fiz hoje, hmm… está completamente ligado ao gesto que tu fizeste no dia anterior… parece que fico a ver essa multiplicidade de gestos que existem entre um tempo e outro. Penso neles como fantasmas que andam aqui…

 T.S. Eliot: ….Time present and time past are both perhaps present in time future and time future contained in time past. If all time is eternally present all time is unredeemable. What might have been is an abstraction remaining a perpetual possibility only in a world of speculation. What might have been and what has been point to one end, which is always present.

 Filipe: O facto de estarmos sempre a filmar este exercício… hmm… parece que nos estamos a guardar para um futuro qualquer, ou melhor, o facto de estarmos a gravar… é em si uma memória, uma memória de um tempo a que já não podemos aceder. Ah… parou… Lá se foi a memória…

Teresa: Mas tens aí outra memória… É a memória mesmo ou é a bateria? 

Filipe: Acho que são as duas.

Teresa: Então tens as duas, se quiseres. É o que precisamos. Memória e bateria… O gravador ainda está a funcionar.

Filipe: Esta memória está boa?

Teresa: Mostra.

Filipe: 4 gigas. Memory card error.

Teresa: Então não sei… O que é que estavas a dizer?

 

 

Direcção artística, interpretação, cenografia e figurinos: Filipe Pereira e Teresa Silva
Direcção técnica e desenho de luz: Frederico Godinho
Desenho de som: Rui Dâmaso
Apoio de residências: Anda&Fala Associação Cultural, DeVIR/CAPa, Materiais Diversos/Centro Cultural do Cartaxo, Centro Cultural da Gafanha da Nazaré, O Espaço do Tempo e Escola Superior de Dança
Co-produção: Teatro Maria Matos/Festival Temps d’Images
Apoio à criação: Circular Associação Cultural e Materiais Diversos
Agradecimentos: Sabine Macher, pelo acompanhamento artístico na residência de Novembro 2015, David Cabecinha e Horta Seca.

 

estreia dia 15 de Setembro no Centro Cultural do Cartaxo, no âmbito do Festival Materiais Diversos.

 

Filipe Pereira (Leiria, 1986) É licenciado em dança pela Escola Superior de Dança do Instituto Politécnico de Lisboa. Em 2012 conclui o Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica ministrado pelo Fórum Dança, durante o qual teve formação com Meg Stuart, Francisco Camacho, Loïc Touzé, Jennifer Lacey, Madalena Victorino, Jeremy Nelson, João Fiadeiro, Miguel Pereira, Vera Mantero, K. J. Holmes, Mark Tompkins, Patrícia Portela, entre outros. É neste programa que cria as peças É grande mas fica-te bem e I’m a bush in the middle of the forest, em colaboração com Aleksandra Osowicz.          
Trabalhou como intérprete com Dinis Machado em In a manner of speaking, João dos Santos Martins em Projecto continuado (2015), com Sofia Dias & Vítor Roriz em O mesmo mas ligeiramente diferente e Fora de qualquer presente, com Martine Pisani em Rien nest établi, com Inês Jacques em Liars, com a Trisha Brown Dance Company em Planes e Floor of the Forest, com Félix Ruckert em Ring, com Tiago Guedes em Matrioska e com Tânia Carvalho em Icosahedron.
Em 2012, cria em colaboração com Aleksandra Osowicz, Helena Ramírez, Inês Campos e Matthieu Ehrlacher a peça HALE-estudo para um organismo artificial, e em 2013 co-cria com Teresa Silva as peças Letting Nature take over us again e O que fica do que passa.

 

Teresa Silva (Lisboa,1988) frequentou a Escola de Dança do Conservatório Nacional, a Escola Superior de Dança e o PEPCC – Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica ministrado pelo Fórum Dança. Participou, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, no DanceWeb Scholarship Programme 2011 do Festival Impulstanz Vienna sob a mentoria de Boyzie Cekwana e Isabelle Schad. Da sua formação salienta os seminários com Deborah Hay, Meg Stuart, Vera Mantero, Loïc Touzé, Francisco Camacho, João Fiadeiro, Lisa Nelson, Miguel Pereira, Mark Tompkins e Jonathan Burrows.
Como intérprete, trabalhou com David Marques, Loïc Touzé, Liz Santoro & Pierre Godard, Rita Natálio, Luís Guerra, Tiago Guedes, Tânia Carvalho, Sofia Dias & Vítor Roriz, entre outros.
Desde 2008, desenvolve o seu próprio trabalho enquanto criadora destacando-se o solo Ocooo; A vida enorme/La vie en or co-criado com Maria Lemos; Leva a mão que eu levo o braço e Um Espanto não se Espera, ambos co-criados com Elizabete Francisca; a adaptação do solo Conquest de Deborah Hay; e Letting Nature take over us again e O que fica do que passa, co-criações com Filipe Pereira.
Desde 2012, tem vindo a dar aulas e a leccionar workshops no âmbito das suas peças. Mais recentemente tem colaborado com outros artistas em projectos ligados à prática pedagógica no âmbito da dança contemporânea e das artes performativas. Entre 2011 e 2014 foi artista associada da estrutura Materiais Diversos sob a direcção de Tiago Guedes.

 

 

 

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