EVERLASTING | Joana Castro e Flávio Rodrigues

foto everlastingresidência de criação no CAPa – 1 a 6 Março 2016 – estúdio 1

 

 “Se o presente fosse sempre e não transcorresse para o passado, não seria mais tempo, mas eternidade”. Agostinho

No século IV a.C. Heráclito de Éfeso introduziu o conceito de DEVIR, “tornar-se”, fluxo permanente em que nada permanece igual a si mesmo, resultado da luta entre contrários, e da harmonização das relações entre os mesmos. É a permanente mudança, ou transformação: “É impossível entrar no mesmo rio duas vezes. As águas já são outras e nós já não somos os mesmos”. A noção de devir tem sido muito discutida ao longo dos séculos, e tem sido também objecto de pesquisa e construção artística na dança contemporânea. “Um corpo humano porque pode devir animal, devir mineral, vegetal, atmosfera, buraco, oceano, devir puro movimento” (José Gil, Movimento Total, p. 69).
Este projecto afirma-se como a introdução e caracterização de territórios como constantes transformações e contínuos recomeços, a partir do desmembramento de ideias e acções contrárias em possibilidades concretas de construção de relações intersubjectivas. Estas transformações são geradas a partir do devir da exploração destas possibilidades. Um corpo adaptado ou inadaptado, um confronto político, social, de identidades numa actualidade em declínio, de um passado que é caracterizado por constantes recomeços, por ciclos de transformação. É sempre um recomeço, um eterno “tornar-se”, a partir das relações e turbulências entre opostos, encontrando espaços intermédios dinâmicos, que se vão metamorfoseando à medida que as relações se vão alterando. É a construção de uma poética na catástrofe, e no devir do caos gerado por confrontos múltiplos.

Concepção, direcção artística, música, espaço cénico, figurinos e interpretação: Joana Castro e Flávio Rodrigues
Apoio à dramaturgia, textos e documentação: Telma João Santos
Video/documentário e plataforma de divulgação online: Daniel Pinheiro
Fotografia e registo de imagens: Rossana Mendes
Desenho de luz: Alexandre Vieira
Apoio técnico de som em criação: Fábio Ferreira
Residências artísticas: Eira | Lugar à Dança, Devir Capa, Teatro de Ferro
Co-produção: Teatro Municipal Rivoli.Campo Alegre

 

 

a DeVIR é uma estrutura financiada por

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